Entre as flores das dunas e dos parques voa por estes dias uma borboleta migradora conhecida por vanessa-dos-cardos.
Um número indeterminado de borboletas desta espécie em voo na primavera/verão pode ser proveniente de África. Outras eclodirão também no território português.
Foram detectadas há alguns anos borboletas desta espécie que terão migrado de África para a América (Guiana francesa). O facto decorre de terem encontrado vanessas-dos-cardos (Vanessa cardui) com grãos de pólen de plantas selvagens que só existem nas áreas áridas da África Central.
Contudo, a sua migração mais conhecida nesta época do ano segue de África para a Europa, onde há postura, morrendo os progenitores entretanto. Como o tempo está quente, os ovos eclodem mais rapidamente, as lagartas crescem também mais depressa, até que crisalidam e depois voam em nova geração rumo ao Norte da Europa.
Quando arrefece no final de verão ou no início de outono, regressam ao Sul europeu, utilizando ventos favoráveis, altura em que as podemos ver a alimentar-se em flores dessa época, como as da queiró, Calluna vulgaris, nos urzais-tojais das serras, por exemplo, bem como em jardins de cidade com flores.
Na fase de lagarta, esta borboleta, também conhecida por bela-dama, alimenta-se de plantas como as urtigas, cardos e malvas.
Observa-se normalmente em voo entre abril e setembro. Tem uma envergadura de cerca de 60 mm e pertence à família dos Ninfalídeos.
Na foto, em finais de julho uma vanessa-dos-cardos nos girassóis da quinta de Santo Tusso no Parque Biológico de Gaia.
Nota - A trans-oceanic flight of over 4,200 km by painted lady butterflies - Tomasz Suchan, et al.
